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O que é e o que não é aceitação

  • Foto do escritor: Maria Júlia Armiliato
    Maria Júlia Armiliato
  • 7 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 4 de set. de 2025

É comum que pessoas entendam de forma equivocada o que significa aceitação. É comum associar a palavra aceitação com se resignar, desistir de lutar, ou simplesmente se conformar com a dor emocional. Ainda, a aceitação pode ser equivocadamente entendida como passividade, como o ato de simplesmente se resignar diante das adversidades da vida, abrindo mão de agir frente às dificuldades. Essa visão distorcida reduz a aceitação a uma forma de fraqueza. Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), aceitação não se refere as coisas da vida, mas assim a tudo aquilo que acontece dentro de nós.


Nessa perspectiva, aceitação significa disposição para estar em contato com a própria experiência interna (pensamentos, sentimentos, memórias e sensações) sem tentar controlá-la ou eliminá-la a qualquer custo. É abrir espaço para o que surge, mesmo quando é doloroso, reconhecendo que lutar contra certos conteúdos mentais tende a intensificá-los. Aceitação não é desistência, mas uma postura ativa de presença, em que a pessoa escolhe não gastar energia em batalhas inúteis com a própria mente. Em vez disso, essa energia pode ser redirecionada para ações alinhadas ao que realmente importa, aos valores pessoais que dão sentido à vida.


A aceitação facilita a vida humana porque interrompe o ciclo de luta infrutífera contra a dor inevitável. Uma pessoa ansiosa, por exemplo, pode se beneficiar quando deixa de tentar “eliminar” a ansiedade e passa a reconhecê-la como parte da experiência, ao mesmo tempo em que se engaja em atividades significativas, como manter laços sociais ou investir em sua carreira. O mesmo ocorre em situações de luto: não é possível apagar a tristeza, mas é possível acolhê-la e, mesmo assim, continuar nutrindo vínculos afetivos e honrando quem se foi. Essa mudança de postura reduz o sofrimento adicional criado pela tentativa de controle e aumenta a flexibilidade psicológica, permitindo que a pessoa viva com mais vitalidade e propósito.


O processo terapêutico da ACT convida o indivíduo a desenvolver essa flexibilidade psicológica, integrando aceitação, desfusão cognitiva, atenção ao presente, conexão com valores e ação comprometida. O objetivo não é eliminar sintomas, mas ampliar a capacidade de viver de forma significativa. Assim, a ACT oferece ferramentas para que cada pessoa aprenda a acolher sua experiência com compaixão e, ao mesmo tempo, construir uma vida orientada por aquilo que valoriza. Aceitar não é desistir: é escolher conscientemente onde investir energia e caminhar, passo a passo, na direção de uma vida com mais sentido.

 

Para saber mais:

Hayes, L. L., Ciarrochi, J. V., & Bailey, A. (2023). O que te torna mais forte: Como prosperar diante das mudanças e incertezas usando a terapia de aceitação e compromisso. Porto Alegre: Artmed.

 

Hayes, S. C., & Smith, S. (2022). Saia da sua mente e entre na sua vida: A nova terapia de aceitação e compromisso (A. B. C. Machado, B. D. Bellini, M. S. Dillenburg & N. Boff, Trad.). Novo Hamburgo: Sinopsys Editora.



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Fotografias por  Carol Quaiato (@carolquaiatoph)
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